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Obrigada.


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Encaixe

Entre o teu, e o gosto do cigarro, escolhi o segundo.

Não por vaidades, mas um pouco de ego. Essa falta de respeito, esse ódio todo me explode de vez em quando. Não é de proposito, apesar de saber que tudo que tu fala é.

Entre me apaixonar e falar, preferi negar.

Se eu perder, perco sozinha. Se ganhar aí só eu que ganho, como diria Ana. É que o problema não é nem eu, sabe? É você. Toda a burocracia, toda aquela merda de amor. Não é pra mim, muito menor pra você.

Entre acompanhar teu ritmo, fui embora.

Tudo é muito diferente, tua voz da minha, o jeito que olhamos pras coisas e todo o mundo em si. Será eu que tô vivendo num mundo muito paralelo, imaginando coisas fora do real? Eu querendo cobrar de você, coisa que você nunca me deu e nunca vai poder dar. Nem pra mim nem pra ninguém.

Nossas mentes não encaixam.
Não vou mais tentar
me convencer do
contrario.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Foda-se o romance

Tinha um céu azul sobre nossas cabeças, e uma grande nuvem fofa branca, feito algodão. Eu fiquei observando-a ser levada pelo vento marítimo, bem quando eu tinha uma melodia na cabeça, mas eu não conseguia lembrar a letra da música.

Sentamos na ponta do pier de madeira. Como eu queria que ele tivesse pegado na minha mão, olhado pra mim de uma forma diferente... mas ele só fazia falar, falar muito. Eu, no mais, ouvia. A vezes nem ouvia, só ficava observando-lhe os traços do rosto se movendo, e sues lábios, e dentes e quando seus olhos se encontravam comigo. Eu me perdia bastante, aquele costume de fazer que sim com a cabeça, mas nem saber do que se trata. Eu até que sei disfarçar, mas tenho meus deslizes.

- Hein? - ele falou.

- O que? - perguntei, me dando conta que estava perdida nesses pensamentos em vez de prestar atenção no que ele falava. Ele riu.

- Perguntei se tu gosta da praia. - Falou olhando pro mar, que naquele dia estava num azul tão escuro que não conseguia nem ver as pedras mais superficiais e altas do mar. O mar batia violentamente contra os troncos do pier, e eu sentia os respingos nas minhas pernas e pés.

- Não gosto.

Me olhou confuso, franzindo as sobrancelhas grossas.

- Porque tu tá aqui então?

- Porque eu gosto de você, não da praia. - Me olhou fixo por uns momentos, e depois soltou um sorriso irônico, e balancei a perna demais pela ansiedade, meu chinelo caiu no mar. Fiquei olhando meu chinelo vermelho boiar por uns segundos, e depois ser engolido no mar. - mas que merda.

Levantei no pier, e joguei o outro pé no mar. O que eu ia fazer só com um chinelo só? Ele falou um bocado mais, mas eu não prestei atenção. Acho que ele sabe que eu não presto atenção, as vezes, mas continua a falar apenas pela necessidade de ter um ouvido. Eu gosto de sorrir, e acho que isso basta pra ele. No final, eu nem estava mais pensando nele, nem na voz dele, nem no sorriso, nem em mim.

Só no chinelo.

28 reais no mar.

Mas que merda.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Minha dor Gabriela.

Lembro da Gabriela, sentada contra o sol, com a cabeça encostada na parede, o cabelo caindo sobre o rosto, apenas com aquela regata desgastada cinza, e a alça do biquíni rosa destacando-se na pele branca. Lembro do cheiro do sal marinho, de mastigar a areia sem querer, e o chão da sala de madeira. A gente tinha preparado um chimarrão, mas Gabriela nem tava muito ai pra isso, ela gostava mesmo era ali do sol dourado do fim da tarde, se escorregando pela parede pra deitar no chão, meio torta, com os cabelos espalhados que pareciam fazer parte do assoalho antigo da casa quase vazia.

Eu só olhava, não podia fazer muito mais nada. Tomava um chimarrão, contava alguma coisa sobre a noite assada e Gabriela só fazia sorrir, e abrir os olhos um pouco, depois tornar a fechar. Olhos tão mais cansados que os meus. Olhos mel. E aqueles cílios. Convido Gabriela pra qualquer coisa, mas ela diz que quer ficar deitada mais um pouco no sol, não quer ir no parque, não quer sair pra beber, não quer ir pra casa.

- Eu gosto do teu chão. - Ela me ri uma risada quase sarcástica, sedutora, coisa que ela fazia sempre.
- Eu gosto de você.

O silencio. Seriedade no rosto de Gabriela por segundos que pareceram décadas pra mim, e depois um sorrisinho, e sol atrás de um nuvem. Gabriela se arrasta no chão até meu colo, e escala meu corpo, poem seus braços a redor do meu pescoço e gentilmente beija minha testa, meus olhos, meu nariz, bochechas, maxilar, minha alma. Gabriela é daquelas que faz sem ter motivo, não é de proposito, ela só faz porque sente.

Se deita de novo. Já é seis e meia passada.

Conversamos pouco, rimos muito, até que aquela voz, chama Gabriela por detrás do muro de minha casa. Gabriela levanta, passa a mão nos meu cabelos, bagunçando-os e nem se despede.

E lá se vai minha Gabriela, de mãos dadas com outro homem. Beijando uma boca que não é minha. Gabriela se vai, mas eu sei que amanhã, ou depois, minha Gabriela vai voltar. E quando voltar, vai ser minha.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Uma carta pra ninguém (você morreu).

Vagamente, as borboletas.

Sem outros insetos, só consigo me lembrar das borboletas. E a grama úmida de sereno, entre meus dedos e os seus, entrelaçados, das mãos, dos pés. Mas só em alma. A tua alma, a minha e as das borboletas.

Se lembra quando você me disse que animais tinham alma? E as borboletas...?

Acho que sim. Aliás, acho que são só almas por si só. Ou talvez nem existam.

Tinha chovido, lembra? Roupas molhadas, o cheiro da terra e da grama. Grama úmida entre nossas almas. Almas entrelaçadas.

Tenho saudade do tempo que você me amava, que você existia. Porque partiu?

Essa saudade...

Agora só sobrou eu.

Eu sozinha, e as borboletas.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Sentir de verdade.

Não passavam de dois corpos e duas verdades. Ou uma só, depende do ponto de vista. Ela já tinha parado de se ver com ele como duas pessoas, e se via com ele como um ser único. Ela se sentia assim, não tinha culpa, era involuntário. E gostava.

Ele nem sabia o que pensar. Não pensava muito quando estava com ela, a não ser nela mesmo. Não via mais nada a não ser ela. Alimentava-se dela, bebia dela, sentia dela, banhava-se dela, vivia dela e de mais nada. Ele se sentia assim, não tinha culpa, era involuntário. E gostava.

Tanto faz, ela diz. Você que sabe é a frase preferida dele. Ela da um sorrisinho de canto, sabe do jeito dele, e vai levando assim, devagar, sem pressa, sem problemas. Nunca entendem o que o outro quer dizer, mas se entendem perfeitamente.

Tudo encaixa.
O corpo encaixa.

Ele sentado na borda da cama, com a testa apoiada nas mãos, e os cotovelos pressionados contra as coxas. Parece preocupado, mas só parece. É verão, e está só com bermudas jeans, de um tom de verde que ela gosta. Deitada na cama, observa o sol batendo nas costas dele, iluminando-o como um anjo. O seu anjo. Se aproxima, engatinhando, sorrindo, apenas de short jeans, não importa, estão sós em casa. Na casa deles. A casa tão sonhada. Felicidade pra sempre. Abraça-o, por trás. Desliza as mãos e os braços pelo o peito nu dele, acaricia-o devagar, com a ponta dos dedos e depois com toda a palma da mão. Ele quase não se move, mas sorri. Ela encosta o rosto no ombro esquerdo dela, e aprochega o corpo, encaixa os joelhos em cada lado da cintura dele e lhe beija devagar o pescoço. Sente o sol na pele, sente a pele dele na sua pele, sente muita coisa, coisa que nem sabia nomear, e nem sabia se de fato tinha nome.

Não tem fim todo o sentimento.
Nunca tem.
O que eu tenho a dizer?


É muito amor.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O trem e a passageira.

Senta do meu lado, mas não me olha.
Eu olho.
Sorriso debochado, de quem sabe que eu gosto.
Eu gosto.
Movimentos delicados, muda a posição da perna por debaixo da saia.
Pregada.
Sorri, poem os fones de ouvido. Move os lábios, mas nenhum som saí.
rosada.
O trem está cheio, mas eu não sei respirar. ela sabe.
Sorrisos.
Encosta a mão na minha, como se fosse sem querer. Umedece os lábios com a língua.
Coração disparado.
O trem para. Se levanta. Saí. E eu nunca mais a vi.
Nunca mais.

A bebida mais pura.

Me dá um gole desse teu amor, tão valioso. Quero teu amor escorrendo pelo canto dos meus lábios. Me de um pedaço do teu corpo, ou então, ele todo. Quero me perder nele, como quando você se perde, deitado na cama, banhado pelo sol, de olhos fechados... no mar. Eu quero todas essas músicas que saem dos seus ouvidos, vozes, e batidas, e coisas que eu não entendo e coisas que eu quero entender e coisas e mais coisas. Eu quero ver tuas pupilas, teus olhos verdes me olhando feliz, me analisando, e eu sendo só tua.

Me dá um gole desse teu ódio repentino, me mostra seus socos na parede. Suas palavras, me jogando na cama, com raiva, com amor, com raiva. Me mostra como é ser você, me mostra todo o teu sentimento, aquele mais... mais que eu não sei. Eu quero teu perdão. Eu quero teu sim e o teu não. Eu quero tudo teu.

Eu quero ser sua. Eu quero você bem e você...você ainda me ama?

Me dá um gole de sentimento.